Os cremes de proteção tornaram-se populares após a II Guerra mundial apesar de sua concepção ser anterior quando se sugeriu em 1923 o uso de uma camada de graxa para proteção da pele. No início da era industrial os trabalhadores utilizavam graxa de carneiro ou pasta de argila para proteger as mãos.

Definição

Um creme de proteção ou barreira é uma substância que se aplica sobre a pele antes do trabalho para reforçar as suas funções protetoras não devendo ser confundidos com os cremes comuns destinados a dar à pele sua função fisiológica. Os cremes barreira formam uma película que tem por finalidade colocar-se entre a pele e as substâncias nocivas, deixando as mãos com sua flexibilidade e seu sentido tátil.

Quando utilizar cremes de proteção

Os cremes de proteção devem ser utilizados em situações em que o trabalhador necessita de toda sua habilidade e destreza manuais e quando as luvas de qualquer material prejudicam a manipulação podendo causar acidentes e não oferecem a proteção adequada, ficando desta maneira o trabalhador exposto a agentes químicos que podem ocasionar Dermatoses irritativas e ou alérgicas.

Atuação dos Cremes de Proteção

A ação de um creme barreira ocorre basicamente por dois mecanismos diferentes, isto é, pela neutralização da ação agressiva de determinadas substâncias com a manutenção do pH da pele dentro de níveis normais, ou pelo estabelecimento de uma barreira que visa deter ou dificultar a penetração de agentes agressivos à pele do trabalhador. Atualmente todos os cremes protetores existentes no Brasil atuam conforme o segundo mecanismo, ou seja, pelo estabelecimento de uma barreira.

Propriedades de um Creme Protetor

Entre as principais características que devem estar presentes em um creme protetor encontram-se:

a) Não ser irritante nem sensibilizante. Oferecer um controle eficaz da qualidade de seus componentes, bem como do equilíbrio de seu pH, devendo ser desprovidos de anti-sépticos enérgicos, desengraxantes e desidratantes.
b) Dar real e adequada proteção. Sendo estável frente aos agentes químicos contra os quais pretende proteger, reduzindo ou evitando a absorção dos mesmos.
c) Facilidade de aplicação e afinidade com a pele. Deve ser compatível com suas secreções oleosas e aquosas, além de ser flexível, de adequada consistência, untuosidade e permanência de modo que se estenda e contate bem com a pele.
d) Persistência sobre a pele. Não deve ser desprendido pelos movimentos nem pelo suor, ou esfarelar-se pela secagem, sendo eficaz sobre todos os tipos de pele, tanto alípicas como oleosas, desidratadas como hidratadas e estando de acordo com as condições de trabalho.
e) Facilidade de remoção. Não devem requerer detergentes especiais, bastando a retirada do excesso com papel toalha ou estopa limpa e uma simples lavagem dentro das normas gerais de higiene.
f) Aceitabilidade cosmética. Entram em jogo propriedades alheias à sua eficácia, porém de grande valor para sua aceitação pelo trabalhador, tais como cor, odor, apresentação. Conforto na aplicação, entre outros que a pratica demonstra deveram ser considerados.

Tipos de Creme de Proteção

Atualmente no Brasil como classificação considera-se a Portaria nº 26, de 29/12/94 a qual classifica os cremes protetores como Equipamento de Proteção Individual (EPI), com sua inclusão na Norma Regulamentadora – NR-06 da Portaria 3214/78 e demais providências e em seu artigo 2º enquadra os mesmos em três grupos:
a) Grupo 1 – Água-resistentes
b) Grupo 2 – Óleo-resistentes
c) Grupo 3 – Cremes Especiais – são aqueles com indicações e usos definidos e bem especificados pelo fabricante.

Forma de Aplicação

Para que sejam eficientes os cremes de proteção devem ser convenientemente utilizados e sua forma de aplicação bem determinada. Devem ser aplicados sobre a pele sã, limpa e seca. Depois de lavar e secar bem as mãos deve-se espalhar um pouco de creme nas faces dorsais, palmas e antebraços, massageando suavemente sobre toda área e nos interstícios dos dedos, nas articulações, sobre as cutículas e sob as bordas livres das unhas, deixando-se secar.
Os cremes devem ser aplicados antes do início das atividades de trabalho, renovando sua aplicação toda vez que as mãos forem lavadas ou quando ocorrer contato com substâncias que possam removê-los mesmo que parcialmente.

Os principais agentes químicos agressivos, considerados insalubres pela NR 15, são os seguintes:

Tintas – contém derivados de arsênico, chumbo e cromo.
Compostos de chumbo - esse metal pode estar presente em grande número de produtos, tais como tintas, vernizes, corantes, pigmentos, derivados de petróleo como graxas, pilhas, baterias elétricas, ligas metálicas, cátodos, etc.
Compostos de Fósforo – defensivos agrícolas organo fosforados, bronze fosforado, lâmpadas, fogos de artifício, etc.
Hidrocarbonetos – derivados de petróleo (lubrificantes, combustíveis, betumes, alcatrão, óleo queimado, parafinas e outras substâncias cancerígenas).
Fenóis, Cresóis, Naftóis – nitroderivados, amino derivados, derivados alogenados.
Solventes – orgânicos e inorgânicos.
Tintas e vernizes – Hidrocarbonetos aromáticos, DDT – dicloro difenil tricloretano, DDD – dicloro, difenil, dicloretano, BHC, Hexacloreto de Benzeno, etc.

Dúvidas Frequentes:

Qual a durabilidade de um pote de creme de proteção (embalagens com 200 gramas)?
R: O pote ou a bisnaga de creme contendo 200 gramas, após aberto, deve ser utilizado por no máximo 30 dias.

Quantos gramas devem ser aplicados diariamente pelo trabalhador nas mãos e antebraços para a correta proteção contra hidrocarbonetos e outros derivados de petróleo?
R: A quantidade aplicada varia muito, pois dependerá do tipo de pele do usuário. Em média, são dois gramas por aplicação.

Qual a quantidade de aplicações diárias é recomendada para a efetiva proteção do trabalhador contra os agentes químicos agressivos?
R: A aplicação deve ser repetida quantas vezes for necessário e poderá variar de acordo com as condições de trabalho.

Exemplos:
•  Em caso de excesso de suor, trabalhos em locais muito quentes, recomenda-se a reaplicação a cada duas horas;
•  Toda vez que o usuário lavar as mãos ou que tiver que limpá-las (devido ao contato com os agentes químicos em excesso - vazamento de uma bomba hidráulica, por exemplo), deverá também repetir a aplicação, seguindo as orientações conforme manuais de uso disponíveis no site.

Dermatoses Ocupacionais

Dermatose é termo amplo. Envolve tudo o que acontece na pele do ser humano. Dermatite é uma dermatose ocupacional proveniente do meio ambiente de trabalho, de forma direta ou indireta, seja condicionado, mantido ou agravado. Ela não afeta somente a pele mas, também, todos os seus anexos (unhas, cabelos, mucosas).
No Brasil, as estimativas demonstram que as maiores incidências de dermatoses ocupacionais estão em primeiro lugar na construção civil e em segundo lugar na indústria metalúrgica. Na construção civil, por exemplo, a maioria são dermatites de contato irritativas. Outros agentes como a cal, a areia, e a pedra, formam pequenos traumatismos que permitem a penetração de substâncias irritantes na pele. Já as dermatites alérgicas surgem em poucos casos e podem ser causadas, principalmente, por dois tipos de contaminantes existentes no cimento: cromato e o cobalto. "Além disso, com a rotina de trabalho, o pedreiro desenvolve uma certa resistência ao cimento conhecida como hardening (endurecimento da pele)" afirma. Na indústria metalúrgica predominam os problemas irritativos causados pelos óleos de cortes.

A Proteção na Indústria

O princípio básico do creme de proteção é desenvolver a hidratação natural da pele, ou seja, manter a camada de gordura que é sua proteção natural. Outro objetivo é formar uma barreira de proteção. Por isso, os cremes protetores são reconhecidos como cremes-barreira – uma espécie de barreira fisio-química que impede a entrada de agentes químicos.

Protetor Solar possui Certificado de Aprovação C.A.? Trata-se de uma variação dos cremes de proteção? Embora a NR-6 não o mencione, a NR-21 estabelece que o trabalhador a céu aberto deve ser protegido. Como interpretar? O que falta para que este produto seja considerado um Equipamento de Proteção Individual? Qual sua opinião sobre a questão?
R. Definitivamente o filtro solar não é considerado um EPI. A portaria 26 é muito clara neste sentido: Cremes protetores contra agentes químicos. O filtro solar trata de proteção física (radiação solar). Alguns fabricantes aplicam filtros químicos e físicos na formulação dos cremes protetores, porem o C. A. – Certificado de Aprovação concedido pelo Ministério do Trabalho é contemplado exclusivamente para a função de proteção química.

Embora a NR-6 não o mencione, a NR-21 estabelece que o trabalhador a céu aberto deve ser protegido. Como interpretar? O que falta para que este produto seja considerado um Equipamento de Proteção Individual? Qual sua opinião sobre a questão?
R. Muitas empresas tem pleno conhecimento da necessidade de fornecer o filtro solar ao seu trabalhador independente de sua obrigatoriedade. Como você citou a NR-21 em seu artigo 21.2, diz: Serão exigidas medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva, o calor, o frio, a umidade e os ventos inconvenientes. Entendo que é imprescindível o fornecimento de filtros solares ao trabalhador, pois o câncer de pele é uma doença de difícil cura e com custo de tratamento altíssimo. Para o filtro solar ser reconhecido como EPI seria necessário uma mudança na Portaria 26 ou criação de outra que tenha a função de tratar este assunto especificamente. Infelizmente não encontramos atualmente interesse ou apoio por parte do Ministério do Trabalho neste sentido, o que é lamentável.